29 de outubro de 2009

Anjo do Amor



Um dia uma criança me perguntou o que é o amor,
Falei que é chorar, sorrir, sofrer, se alegrar,
Curtir, se embebedar, terminar, recomeçar,
Falei que era o respeitar e ficar junto...

... Ela olhou em meus olhos e disse:
- Não achei que amar fosse confuso!?
Falei: - Você é muito pequena e não sabe amar,
Ela com olhos cheio de lagrimas falou: - achei que sabia!

Ontem quando acordei e vi que meu pai não estava,
Senti saudade, mesmo sabendo que ele voltava,
Minha mão ficou doente no hospital,
Fiquei triste, sofri muito, fiquei mal...

Meu irmão pequenino ainda, adoeceu,
Ninguém me falou o que ele tinha,
Achei que era nada, mas sinto sua falta,
Depois de alguns meses ele morreu...

Meu cachorrinho, coitado, era tão feliz,
Me alegrava os dias e fazia sorrir,
Um dia foi para a rua brincar do outro lado,
Na volta para casa morreu atropelado...

Senti tanto a falta dos que foram,
E saudade dos que ainda aqui estão,
Mas pensei que esse sofrer era de amar,
e o senhor me diz que não???

Olho seus pequenos olhos, olhando os meus,
Sinto vergonha e medo, quero chorar...
Pedi desculpas e falei: - Pequeno anjo do amor...
Perdão pois entendi que eu é que não sei o que é amar

28 de outubro de 2009

Irreal



Olho as curvas retas do meu paradigma,
E mergulho no mar de vento do chão,
Perambulo por entre as rochas gélidas do Saara,
Na busca sem retorno do Santo Graal

Nesses momentos meu relógio parado corre,
E me mostra quão certo é meu erro,
Me fazendo rir de tantas lágrimas que solto,
E a tristeza me maltrata e me deixa enfermo

Sou feliz grito do alto da torre,
Com a espada em punho mirando o chifre do dragão,
Salvo a princesa e mato-a no mesmo instante,
Pois percebo que ela nem era tão bela assim

Corre em busca do fim do arco-Iris,
E com meu trenó puxado por gnomos chego lá,
Desço e percebo que é tudo mentira,
São pequenos potes de guache refletindo o sol

Pulo na cachoeira dos cachos de seu cabelo,
Para parar nas profundezas de seu colo,
Estagnado em seu seio me mostro cansado,
Já é meio dia e volto a sorrir querendo chorar

E nesse momento meu amor por ti me cega,
Pois notei que és burra por querer me amar,
Sinto que a cada movimento é impossível a volta
Pois minha realidade faz a minha loucura aumentar

Corvo



O vento bate em meu corpo em leve soprar,
Solto-me ao léu por sobre o abismo de amor,
Sinto as lagrimas escorrerem em meu corpo,
Me banhando os seios e molhando minhas asas

Sou ave de rapina, mulher guerreira,
Mas sei que sozinha não há cura para a dor,
Sou um corvo em busca de sua presa fácil,
Há muito que não sinto o amor

Me sinto meio híbrido nesses momentos,
Onde o sim e o não vagueiam sem rumo,
Me mostra a dor do parto que nunca tive,
Na silhueta bela desse meu corpo de mulher

Sou a personificação do mal, em busca do bem,
A dor que me vai no íntimo eu mesmo criei,
E ao cortar o cordão umbilical da vida,
Parei de planar por entre os vales rochosos

Me atirei de corpo e alma para dentro do abismo,
Não sei retornar e nem consigo as asas bater,
Me sinto fraca e precisando de asilo,
pois a falta de amor me faz a cada minuto morrer

Quero a presa e o sangue que jorra,
Das feridas mundanas que eu mesmo causei,
Procuro facilidade e me prostituo na vida,
Pois nesses momentos esqueço a quem tanto amei

Sou linda, voraz e quiçá verdadeira,
Sou tudo aquilo que sempre busquei,
Sou corvo na briga diária por alimento de vida,
Jamais serei a mulher que sempre sonhei

"A inspitração não tem sexo nem sentimento...
somente força o suficiente para se fazer entender!
Por esse motivo Ela sou Eu e vice-versa..."
Carlos Falcão

27 de outubro de 2009

Flores do Mal



Nunca fugi de meus receios e de minhas intrigas,
Nunca fugi da felicidade que me fez sofrer,
Jamais deixei de receber carinho de meu interior,
Em troca ganhei rasuras de seu rubor

O jardim de minha vida têm terra adubada,
Solo fértil e pedriscos enterrados,
Raízes mortas que não expurgaram,
E que ainda hoje me fazem mal, muito mal

Os caules outrora fortes e rijos,
Se tornaram frívolos e de teor putrefato,
Que me arrancaram as veias de ervas,
E só deixaram nascer as daninhas

Para que viver, em terras de ninguém,
Onde a colheita há muito não se faz,
Onde o plantio erradicou a vida,
Onde o bem se escondeu com medo do amor

Por onde deixar correr as vias de águas,
Se não são potável o suficiente para a irrigação,
Onde o mar que molha os canteiros é o sangue,
Onde a semente que germinou foi a desilusão

Socorram-me para que ainda dê tempo,
De podar e matar as flores do mal,
Para que eu recobre a consciência,
De que o amor que ainda tenho em mim é real

26 de outubro de 2009

Brinquei com a Morte



Ontem brinquei com a morte,
Bailamos ao som de minhas loucuras,
Sorrimos com meu desespero,
Choramos com as incertas de minha vida.

Ontem beijei a morte,
Tentei que ela fosse meu único e verdadeiro amor,
Que ela me desse à vida para morrer,
Que ela ficasse comigo até o seu dia.

Ontem dancei com a morte,
Mas ela me parecia longe,
E eu a querendo perto e junto de mim,
Mas ela se afasta e diz que sou insano.

Nessa minha loucura momentânea,
Em que percebo que nem a morte me quer,
Sinto-me perdido no espaço tempo,
Me prostituindo por uma vida qualquer.

Me entrego as peripécias da vida,
Humilhando-me por uma morte de forma qualquer,
Ela não vem e a loucura dilacera minha mente,
Chamo a morte para uma noite me velar.

Ontem conversei com a morte,
Foi difícil, mas entendi porque não me quer,
Sou cria do aço, da rocha e do trigo,
Não posso casar com uma morte qualquer.


22 de outubro de 2009

Lagrimas de minha dor


Sinto de dentro da alma,

Sussurrar um escopo de sentimento,
Onde o sim trevoso de meu não me confunde,
E se mostra obscuro a todo momento

Nesses momentos quero sua falta,
E a morte vela meu sagrado sono,
Me sinto mais frágil que o belo rebento,
Deixo a vida por necessidade de momento

A dor escorre em minha face,
O sorriso é pálido e gélido,
O soluço entala na garganta,
Quero gritar, gemer e chorar

Quero você longe de meu medo,
Quero estar dentro de seu sofrimento,
Quero a paz das dores que me invadem,
Quero sorrir mas não tenho contento

Meu medo me diz que era você na janela,
Quando ainda criança sofri,
Esse medo ainda me acompanha o ser,
E tenho medo até mesmo de sorrir

A solidão que tanto busco me mostra a verdade,
Que em outra ocasião jamais buscaria,
Sei que é hora de mostrar minhas vaidades,
Mas eu nunca soube que sequer eu tinha

19 de outubro de 2009

Quando!!?


Quando o medo vira tempestade, o melhor é amar
Quando a dor traz magoas de verdade, o melhor é amar
Quando o amor busca outro caminho, o melhor e amar
Quando caminhar te leva a sofrer, o melhor é amar

Quando o choro não para, o melhor é amar
Quando o peito parece que vai explodir, o melhor é amar
Quando a solidão é presente, o melhor é amar
Quando o carinho se faz ausente, o melhor é amar

No meio do nada envolto à dor,
Busco refugio nos caminhos do amor,
Quando a noite se faz presente em mais de 24 horas,
O amor é a fogueira que alimenta a chama do coração

Quando a lagrima de sangue escorre de meu ser,
É sinal que a dor, perfurou o coração,
Fazendo jorrar o amor em forma de emoção,
Me cegando e tornando trevoso o meu caminhar

Quando não tenho mais para onde ir,
Quando não tenho mais com quem contar,
Quando não tenho mais nada a fazer,
Só me resta o amor que sinto por você

10 de outubro de 2009

Tenho medo de ter medo de mim!




Ontem lembrei de todos os momentos de minha vida
Nascimento, o meu crescer, caminhar, chorar,
Sorrir, falar, dor, medo... muito medo, solidão,
Família, amigos, amores.. não, não tive amores...

Sofri, sorri, chorei e os sentimentos se confundiram,
O êxtase e a sensaçãode soberba,
O rancor e a dor que ainda vai no caoração,
Apanhei, recebi carinho, fiquei de castigo...

Desejei morrer, tentei fugir de casa (só em planos),
Tive medo, muito medo.. Quis matar, quis beber,
Quis jogar tudo pro ar e senti a consequencia de meus atos,
Apanhei da vida e de mim mesmo, e tive medo, muito medo...

Casei para ser feliz, não fui, queria ir embora e fui fraco,
Mas um dia me mandaram embora, teimei até aceitar,
Como voltar, recomeçar, e tudo por medo, muito medo...
Brindei com os anjos, bailei com a morte e flertei no abismo,
Sabia que nada iria acontecer, não era a hora,
Se estivesse perto de ser, eu me conheço...
Não iria nem perto, pois tenho medo, muito medo...

A morte sorriu para mim com receio, pois percebeu minha loucura,
Falou que sabia dos meus planos e não quis mais meus brindes,
Saiu de perto e me deixou, falou que minha insanidade é muito,
Demais para ela... me deixou e disse que um dia volta...

Se é breve ou longe não sei...
Um dia ela volta, e nessa minha loucura, terei medo,
Muito medo de morrer... de sofrer... da solidão...
Mas o certo é que dessa vez ela ficou com medo...

... Muito medo de mim e de minha loucura!

5 de outubro de 2009

Lagrimas do medo meu

Quando passo e não vejo seus olhos
Olhando, seguindo os meus,
Meu coração dispara e sinto sua falta,
Nem sei o que aconteceu

E vejo meu futuro perdido,
Entre espaços e caminhos,
Em labirintos de sentimentos,
Que me deixam embriagado pelos sentidos

Não sei o que é o chorar,
Já senti, mas não sei o que é dor,
Beijei e não sei que gosto tem,
Faz frio em seu corpo de calor

As lagrimas que saem de mim são de sangue,
O sangue que corre em mim é trevoso,
O ar que infla meu peito é rarefeito,
Minha sorte é nada, só um defeito

Sou tristeza em forma de animal,
Que nem sabe como viver da preza fácil,
Me sinto flagelado e muito mal,
Na verdade é uma verdade imbecil

Procuro os rumos da saída,
Do caminho sem volta ao qual eu entre,
Da minha vida sei pouco mais que nada,
E da sua que diz que é minha não sei.



acompanhe esse e outros textos de Carlos Falcão no Recanto das letras...
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