27 de abril de 2010

Enfim o Fim!












Hoje acordei cedo, coloquei minha melhor roupa,
Me olhei no espelho, e tive orgulo de mim...
Chorei por lembrar de minha mãe,
Por querer o abraço forte de meu pai,
E estar sempre tão longe de meus irmãos...

Fiz carinho em meu gato,
Botei o lixo pra fora e isso me fez refletir,
Na noite que findou amei aquela que realmente me ama...
Minha noite foi ruim após isso, pois não dormi,
Não sonhei... e como pedra no sapato, chorei

Não tenho dor em meu peito,
Ela há muito partiu, rasgou a carne e dilacerou o querer,
Não tenho mágoa e nem sentimento,
Mas a insistência em querer saber do meu querer,
Isso me faz mal, a mim e meu amor...

Hoje acordei cedo, tomei meu banho demorado,
Coloquei a roupa da luta e olhei nos meus olhos...
O espelho é o inverso do que somos,
Minha beleza é feia e até acredito em mim...
Meu medo é minha coragem,
E na hora que chorei... sorri...

O dia tá chuvoso, o frio aparecei,
Lembrei dos meus medos e então pensei...
Veio o esperado, momento crucial,
Tentei evitar o inevitável, isso me fez mal...
Recebi a encomenda de cara e peito aberto,
Coloquei a pedra em cima do pergaminho, fiz o correto

Foi a hora mais marcante posso dizer a mais feliz,
A dor que era sufocante, virá em forma de dor maior,
Estou preparado para a briga, na verade sempre estive,
A dor que virá não será para mim,
Pois agora sei que enfim veio o Fim!

14 de novembro de 2009

Alma Inquieta




Tenho minh'alma inquieta,
Devido as agruras do mundo,
Tenho meu medo oculto,
Nos sons dos dizeres surdos


Sou a essência da vida toda,
De uma familia que se deve respeitar,
Aprendi que sou fruto do amor,
E ensino aos meus a amar


Minh'alma é inquieta devido ao tempo,
Que se passa pelo relógio implacável,
Não sei se terei muito tempo,
De mostrar que o amor é interminável


Não esmoreço perante as adversidades,
Nem tão menos me encosto nas entrelinhas,
Pois se busco algo é a felicidade,
Do saber o que é o amar de minha família


Me forjei no aço das purezas do amor,
Me entreguei aos braços do meu querer,
Me deixo levar pelos caminhos onde vou,
Mas não desisto do amor do saber


Carlos Falcão

10 de novembro de 2009

"Paralelos"



A reta de minha alma,
Está na curva de seu semblante,
Eu não me acho,
Muito menos te encontro,

Pois nem sei ao certo onde me perdi,

E derrapando em seus seios,
Desfiguro-me em desespero,
Entreteço-me e desnorteio, ajoelho e rezo,
Sou inseguro em minhas partes,

Onde a vida é no paralelo,
Nossos caminhos, nossas vidas,
Que se cruzam e se separam,
Nossos martírios e guerrilhas
Nos paralelos de nossos lábios.

Confronto-te e me encontro,
Devoro-te, e te decoro,
Procuro-te em meus sentimentos
E não acho,
São paralelos do meu fracasso...

Sou tudo isso e quase nada,
Sou amor, paixão e exatidão,
Procuro afagos em seus carinhos,
Procuro amor em suas mãos,
E no instante que me desespero,
Seu semblante é quem me acompanha.

Somos paralelos em nossas vidas,
Somos base e cume da mesma montanha.
Sim e não no talvez...
Esperança que se desfez.

9 de novembro de 2009

Os Ogros também Amam!



Sou rocha na terra, sou tronco do jequitibá,
Sou diamante que ainda não foi lapidado,
Sou partida repentina sem nunca voltar,

Não aviso pra que vim, não digo onde vou zarpar,
Corro sem rumo, em um longo abismo,
Chama da vontade de saber amar,

Sou loucura sem cura, saudade sem fim,
Aprendi ser sozinho,
Não esperava você em mim,

Fui produzido no barro, tijolo duro me tornei,
Fui feito de ferro e aço,
Sem juntas e articulações nunca me enverguei,

Sou rocha sem molde, Sem gracejos me criei,
Ma mandaram seguir meu instinto,
Pois com ele achava que era Rei,

Sou o mais bruto dos seres, e fui agora moldado por amor,
És rainha desse molde novo,
Que me ensinou quem eu realmente sou.

6 de novembro de 2009

Girassol


Tento não lembrar das coisas ruins de minha vida...


Um dia olhei para o céu e pedi a Deus- Me ajude!
Perda de tempo por dois motivos...
Ele sempre me ajuda,
E não é necessário olhar para o céu

Ouvi os ventos soprarem em meu ouvido,
Sou a brisa do amor, sou só e sou tudo,
Senti os raios de sol que me aqueceram a pele,
Os poros abriram e a vida se fez presente

Senti o amor do Pai,
Senti o carinho, a presença e a vida,
Senti que nunca estou só,
Senti que sou muito importante para mim
Sou único, e sou o centro do universo,
Do universo chamado Vida...
... minha vida, meu eu, meu tudo
Sou o centro de minha racionalidade

Sou arco-íris nos campos molhados,
Sou pássaros nas árvores com seus ninhos,
Sou símbolo da vida e do amor,
Sou Girassol recebendo o que vem de você

Sou espelho, e meu reflexo é amor,
Sou rio, e as águas que correm é você,
Sou lua, e recebo a claridade que vem de ti,
Sou a infinita vontade de nunca te perder...

5 de novembro de 2009

Gargulas



As vezes me sinto como gargulas,
No topo de um velho edificio,
Olhando a tudo e a todos,
Imóvel sem sentimento, somente olhando.

Tenho observado a chuva que cai,
E com ela tras a esperança de um novo amanhecer,
Sinto o suave soprar das brisas do vento,
Sinto o arder do sol a me banhar.

Sinto sua presença em certos momentos,
Mas sou feito de pedra,
Sou bloco maciço e cinzento,
Que nada nem ninguem me tiraria do lugar.

Mesmo sendo gargula, de minha face escorre,
Lagrimas de dor, lamurias e paixão,
Observo ao longe o que a vida não me deu,
E todo dia morro aos poucos por ti.

Mas sei que o vento que aqui sopra,
Leva pra longe o perfume e a dor,
Me mostra que sempre haverá um momento,
Em que meu coração de pedra nascerá pro amor.

3 de novembro de 2009

Um Homem chamado Angelina



Ele chega bem sóbrio e sério,
Olhar estranho, ocultando suas verdades,
Ou quem sabe mostrando suas mentiras,
Quem somos nós para entender o sim ou não

Ela chega e não mostra vergonha,
Ostenta orgulho de ser o que é,
Ela é ele e sempre será,
Mesmo se fosse "homem" seria mulher

Ela dança, ele canta, se faz presente,
Com seu leque em punho menina carente,
Envolto às amigas e primas que faz,
Ele gira, rodopia e não é fugaz

Ela ri ela brinca e mostra com certeza,
Que está certa de suas escolhas e sua beleza,
Não liga para o que dizem, ou falam de ti,
Ela grita, gargalha e não está nem aí

Ele nasceu homem, forte e cheio de vida,
Mas preferiu ser moça, é uma menina,
Não sei se foi fácil ou de vida sofrida,
Só sei que esse Homem se chama Angelina...

29 de outubro de 2009

Anjo do Amor



Um dia uma criança me perguntou o que é o amor,
Falei que é chorar, sorrir, sofrer, se alegrar,
Curtir, se embebedar, terminar, recomeçar,
Falei que era o respeitar e ficar junto...

... Ela olhou em meus olhos e disse:
- Não achei que amar fosse confuso!?
Falei: - Você é muito pequena e não sabe amar,
Ela com olhos cheio de lagrimas falou: - achei que sabia!

Ontem quando acordei e vi que meu pai não estava,
Senti saudade, mesmo sabendo que ele voltava,
Minha mão ficou doente no hospital,
Fiquei triste, sofri muito, fiquei mal...

Meu irmão pequenino ainda, adoeceu,
Ninguém me falou o que ele tinha,
Achei que era nada, mas sinto sua falta,
Depois de alguns meses ele morreu...

Meu cachorrinho, coitado, era tão feliz,
Me alegrava os dias e fazia sorrir,
Um dia foi para a rua brincar do outro lado,
Na volta para casa morreu atropelado...

Senti tanto a falta dos que foram,
E saudade dos que ainda aqui estão,
Mas pensei que esse sofrer era de amar,
e o senhor me diz que não???

Olho seus pequenos olhos, olhando os meus,
Sinto vergonha e medo, quero chorar...
Pedi desculpas e falei: - Pequeno anjo do amor...
Perdão pois entendi que eu é que não sei o que é amar

28 de outubro de 2009

Irreal



Olho as curvas retas do meu paradigma,
E mergulho no mar de vento do chão,
Perambulo por entre as rochas gélidas do Saara,
Na busca sem retorno do Santo Graal

Nesses momentos meu relógio parado corre,
E me mostra quão certo é meu erro,
Me fazendo rir de tantas lágrimas que solto,
E a tristeza me maltrata e me deixa enfermo

Sou feliz grito do alto da torre,
Com a espada em punho mirando o chifre do dragão,
Salvo a princesa e mato-a no mesmo instante,
Pois percebo que ela nem era tão bela assim

Corre em busca do fim do arco-Iris,
E com meu trenó puxado por gnomos chego lá,
Desço e percebo que é tudo mentira,
São pequenos potes de guache refletindo o sol

Pulo na cachoeira dos cachos de seu cabelo,
Para parar nas profundezas de seu colo,
Estagnado em seu seio me mostro cansado,
Já é meio dia e volto a sorrir querendo chorar

E nesse momento meu amor por ti me cega,
Pois notei que és burra por querer me amar,
Sinto que a cada movimento é impossível a volta
Pois minha realidade faz a minha loucura aumentar

Corvo



O vento bate em meu corpo em leve soprar,
Solto-me ao léu por sobre o abismo de amor,
Sinto as lagrimas escorrerem em meu corpo,
Me banhando os seios e molhando minhas asas

Sou ave de rapina, mulher guerreira,
Mas sei que sozinha não há cura para a dor,
Sou um corvo em busca de sua presa fácil,
Há muito que não sinto o amor

Me sinto meio híbrido nesses momentos,
Onde o sim e o não vagueiam sem rumo,
Me mostra a dor do parto que nunca tive,
Na silhueta bela desse meu corpo de mulher

Sou a personificação do mal, em busca do bem,
A dor que me vai no íntimo eu mesmo criei,
E ao cortar o cordão umbilical da vida,
Parei de planar por entre os vales rochosos

Me atirei de corpo e alma para dentro do abismo,
Não sei retornar e nem consigo as asas bater,
Me sinto fraca e precisando de asilo,
pois a falta de amor me faz a cada minuto morrer

Quero a presa e o sangue que jorra,
Das feridas mundanas que eu mesmo causei,
Procuro facilidade e me prostituo na vida,
Pois nesses momentos esqueço a quem tanto amei

Sou linda, voraz e quiçá verdadeira,
Sou tudo aquilo que sempre busquei,
Sou corvo na briga diária por alimento de vida,
Jamais serei a mulher que sempre sonhei